FAQ

PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE A DOENÇA DE HUNTINGTON

A Doença de Huntington (DH) é uma doença genética, hereditária, progressiva e neurodegenerativa que afeta o sistema nervoso central. Causa alterações motoras, cognitivas e psiquiátricas, impactando significativamente a qualidade de vida da pessoa com DH e sua família.

A DH atinge homens e mulheres de todos grupos étnicos. Em geral, os sintomas aparecem lenta e gradualmente entre os 30 e 50 anos, mas pode atingir também crianças (veja DH Juvenil) e idosos (DH de início tardio).

Esses sintomas prejudicam o caminhar, aumentando o risco de quedas, dificultam a realização de tarefas cotidianas, como alimentar-se (engolir alimentos e líquidos tendem a provocar engasgos), há perda progressiva da fala, e trazem fortes consequências sociais e psicológicas.

Os primeiros sinais são sutis e podem ser alterações ligeiras de personalidade e de humor. Esquecimento, descoordenação motora e movimentos bruscos aleatórios dos dedos das mãos e pés também podem indicar manifestação da doença.

A DH é responsável por uma tríade de sintomas:

  • Sintomas motores: movimentos bruscos e involuntários (coreia) que afetam o caminhar da pessoa e seu equilíbrio, distonia (rigidez muscular), bradicinesia (lentificação de reflexos), agitação excessiva, contrações musculares e tiques faciais.
  • Sintomas cognitivos: dificuldade de iniciar e planejar ações, lentidão do pensamento, falhas de julgamento e discernimento, problemas de raciocínio, inflexibilidade cognitiva (rigidez mental).
  • Sintomas psiquiátricos: alterações de humor e isolamento social, depressão, irritabilidade, comportamentos agressivos e/ou impulsivos, podendo desenvolver compulsões (álcool, drogas, sexo, jogos, compras etc.), insônia, ansiedade, apatia e, em alguns casos, psicose.


Os sintomas da DH variam de pessoa para pessoa, mesmo entre membros da mesma família.

A doença de Huntington é herdada de forma autossômica dominante, o que significa que uma pessoa precisa herdar apenas uma cópia do gene mutado de um dos pais para desenvolver a doença. Todos nós temos dois genes para cada característica — um herdado da mãe e outro do pai — e no caso da Doença de Huntington, se um dos pais possui essa mutação genética, há 50% de chance de que ela seja transmitida aos filhos. Quem herda o gene com a mutação inevitavelmente desenvolverá a doença em algum momento da vida.

A doença de Huntington é causada por uma mutação em um gene no DNA que afeta a produção de uma proteína chamada huntingtina (Htt). Quando essa proteína é alterada, forma-se uma versão danosa chamada proteína huntingtina mutante (mHTT). Essa proteína mutante danifica as células nervosas em determinadas regiões do cérebro. Com o tempo, a presença da proteína huntingtina mutante acumula-se nas células nervosas, causando sua degeneração e comprometendo funções como movimento, comportamento e cognição. Em resumo, a mutação genética resulta em uma proteína que não funciona corretamente, causando danos ao sistema nervoso e levando ao desenvolvimento da doença.

Não há cura, mas existem tratamentos para aliviar os sintomas, como medicamentos para controlar os movimentos involuntários e as alterações de humor (depressão, ansiedade, irritabilidade), além de terapias de suporte como psicoterapia, fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, bem como terapias complementares que podem ajudar a dar melhor qualidade de vida. Exercícios físicos e atividades de lazer também são muito importantes. Ou seja, o que se pode fazer é administrar a doença e cuidar da pessoa e do cuidador de todas as formas possíveis que tragam acolhimento, ganho de saúde e bem-estar.

A maioria das pessoas afetadas desenvolve a doença entre 30 e 50 anos. Aproximadamente 10% das pessoas desenvolvem sintomas antes dos 20 anos (DH Juvenil) e outros 10% depois dos 50 anos. Mais raramente, os sintomas podem aparecer antes dos 10 anos de idade.

Isto significa que a sua mãe, o seu pai ou um de seus avós possuem o gene da DH, independentemente de ele/ela já ter desenvolvido ou não os sintomas. Se um dos seus pais é afetado, o seu risco de herdar o gene da DH é de 50%. Se um de seus avós é afetado, e não se sabe se seu/sua pai/mãe possui o gene da DH, então o seu risco é de 25%.

O exame que identifica a DH pode ser encontrado com o nome de “PCR para doença de Huntington”, “exame de expansão do gene HTT”, “exame molecular de identificação da Doença de Huntington”, dentre outros nomes.

A decisão de fazer o teste genético preditivo é profundamente pessoal e não se pode tomá-la levianamente. Não apenas o resultado positivo pode impactar a vida da pessoa, o negativo também. Se decidir por fazer o teste, procure um neurologista especialista, aconselhamento genético e acompanhamento psicológico.

Certas funções do cérebro, como a habilidade de se mover, pensar e falar, deterioram-se gradualmente à medida que células nervosas chaves são danificadas e morrem. A parte do cérebro mais afetada pela DH é o corpo estriado, que é uma estrutura dos gânglios da base localizada na região central do cérebro. O corpo estriado é composto de três regiões denominadas núcleo caudado, putâmen e núcleo accumbens.

O corpo estriado é basicamente responsável pelo planejamento da vida e pelo controle dos movimentos, mas também está envolvido em outros processos cognitivos (mentais). À medida que a doença progride, ocorre destruição do córtex cerebral (massa cinzenta correspondente à camada mais externa do cérebro), que contribui para a deterioração da capacidade cognitiva.

Não. A pessoa com DH morre das complicações decorrentes do estado de fragilidade do corpo, que pode estar acometido de outras doenças crônicas (diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, câncer etc.). Relacionada a sintomas de DH, por causa da inconstância da marcha, do caminhar, a pessoa pode tropeçar, cair, bater a cabeça e vir a óbito; é muito comum o adoecimento por broncoaspiração: em vez de a comida, bebida ou saliva seguir para o estômago, toma o caminho dos pulmões, causando quadros constantes de pneumonia ou engasgar-se de vez, ficar asfixiado e ter uma parada cardíaca; em estágios avançados da doença, que necessita uso de fraldas geriátricas, é bom prestar atenção às infecções renais e das vias urinárias, que podem enfraquecer muito o organismo da pessoa. 

Ainda não existem estatísticas oficiais que relatem a frequência exata da Doença de Huntington no território nacional. Os únicos dados gerais sobre a enfermidade no país concentram-se nos cadastros da ABH – Associação Brasil Huntington, um trabalho realizado de forma contínua desde a fundação da entidade, no ano de 1997.

A partir dessas quase três décadas de acolhimento e registro de pacientes e seus familiares, a associação consegue traçar um panorama. As estimativas da ABH apontam que existam entre 14.700 e 21.000 pessoas vivendo com a mutação genética causadora da doença no Brasil, e que entre 73.500 e 105.000 pertençam ao grupo de risco de desenvolvê-la (cálculos baseados na população brasileira em 2019: 210.000.000 de habitantes).