Skyhawk divulga resultados promissores do SKY-0515 e expande o estudo FALCON-HD para América Latina

Após indicadores seguros obtidos na fase 1 de estudos, o medicamento experimental entra em nova fase de testes para avaliar sua eficácia em centenas de pacientes em todo o mundo.

Há muitos anos a comunidade Huntington anseia por tratamentos que sejam eficazes e, ao mesmo tempo, fáceis de administrar.

Atualmente, boa parte das terapias em investigação para reduzir a proteína huntingtina esbarra em desafios de segurança e tolerabilidade devido à sua natureza altamente invasiva. Abordagens como o uso de oligonucleotídeos antisenso (ASOs), que exigem punções lombares, ou terapias gênicas, que dependem de cirurgias cerebrais complexas, representam obstáculos clínicos para o avanço dos tratamentos.

É por essa razão que as descobertas envolvendo o medicamento SKY-0515, da Skyhawk Therapeutics, têm gerado tanto interesse no meio científico: ele desponta como uma alternativa menos agressiva por ser um composto de uma molécula pequena.

O que é o SKY-0515?

Administrado por via oral, o SKY-0515 possui a capacidade de atravessar barreiras biológicas e se distribuir de forma sistêmica por todo o corpo, não apenas o cérebro. Seu mecanismo, chamado de “splicing de RNA”, simplifica a via de administração e busca superar as limitações físicas e os riscos impostos por outras metodologias em fase de testes.

Para entender como esse medicamento atua, precisamos imaginar o nosso DNA como um grande livro de receitas. Para que o corpo produza a proteína huntingtina, ele primeiro faz uma “cópia” da receita genética, chamada de RNA mensageiro. O SKY-0515 atua justamente nessa fase de cópia, como o que os cientistas chamam de modulador de splicing, auxiliando nessa forma de edição do RNA.

Ou seja, todo esse tratamento complexo, invasivo e arriscado poderia ser resumido a um pequeno comprimido tomado uma vez ao dia. O medicamento atua de forma parecida ao votoplam (antes PTC518) em desenvolvimento pela Novartis e PTC Therapeutics.

Ainda é cedo para concluir sobre a eficácia e os benefícios do SKY-0515, mas os resultados apresentados pela Skyhawk apontam para direções promissoras.

O que os últimos resultados mostram?

No dia 27 de janeiro de 2026, a Skyhawk divulgou um comunicado de imprensa com dados sobre a primeira etapa de testes realizada com o medicamento.

Um estudo de fase 1 é a primeira etapa de uma pesquisa clínica de um novo fármaco. Nesta fase o objetivo principal é testar a segurança e a eficácia do medicamento em seres humanos. Foto: Alemedia.id

O estudo de fase 1 da Skyhawk incluiu voluntários saudáveis e, posteriormente, pacientes com DH em estágios iniciais. Após nove meses, o estudo mostrou que o medicamento conseguiu alcançar seus dois objetivos principais:

  1. nas doses mais altas, houve uma redução de aproximadamente 60% da proteína huntingtina mutante e,
  2. de maneira geral, o medicamento foi considerado seguro.

A cada 3, 6 e 9 meses, os pesquisadores aplicaram uma escala chamada cUHDRS (que mede a capacidade motora, cognitiva e funcional do paciente).

Devido à progressão da doença, espera-se que um paciente tenha, em média, uma piora natural de cerca de -0,73 pontos nessa escala ao longo de 9 meses.

Os dados observados nos pacientes que tomaram o SKY-0515 indicam que eles não só não pioraram, como apresentaram uma leve melhora média de +0,64 pontos na escala cUHDRS.

Resumo

com informações do portal científico HDBuzz

  • A Skyhawk relata que seu medicamento oral modulador de splicing, o SKY-0515, de maneira geral, foi bem tolerado no estudo de fase 1, inclusive por pessoas com a Doença de Huntington (DH);
  • Na dose mais alta testada, o SKY-0515 reduziu os níveis da proteína huntingtina expandida em cerca de 60% no sangue, além de reduzir o RNA mensageiro da PMS1, um gene ligado à expansão somática e ao início da doença;
  • Ao contrário dos ASOs ou terapias gênicas, o SKY-0515 é um comprimido tomado uma vez ao dia que chega ao cérebro e atua em todo o corpo, trazendo diversidade ao cenário de tratamentos focados na redução da huntingtina;
  • Otimismo cauteloso: o número limitado de participantes e o fato de os dados serem provenientes apenas de comunicados de imprensa significam que ainda é cedo para tirar conclusões definitivas sobre os benefícios clínicos, mas os resultados sustentam o avanço para estudos maiores e de longa duração.

É importante ter otimismo, mas com cautela. Os dados são animadores, mas necessitam de uma avaliação aprofundada; o medicamento foi testado em um pequeno grupo de pacientes, sem grupo controle/placebo e depende de novas fases de estudos para concluir sua eficácia.

Efeito 2 em 1: redução da huntingtina e da proteína PMS1

A grande novidade: melhora clínica e o “duplo alvo” de ação do medicamento. Foto: ABH

O estudo revelou uma descoberta que surpreendeu positivamente a comunidade científica: além de reduzir os níveis da huntingtina, os dados indicam que o SKY-0515 também reduz uma proteína chamada PMS1.

A PMS1 é uma proteína envolvida no reparo do DNA. Acredita-se que a redução da PMS1 possa desacelerar a “expansão somática” das repetições CAG, processo que agrava a doença ao longo do tempo.

Isto significa que os cientistas da Skyhawk notaram que a PMS1 age como um “combustível” para o aumento das repetições CAG. Ao reduzir a PMS1, o medicamento tenta secar esse combustível antes que uma faísca cause um incêndio, isto é, antes que siga em curso a progressão da doença.

O estudo FALCON-HD

Voando mais alto: a expansão internacional do estudo representa um novo horizonte de esperança para a pesquisa científica. Foto: Reprodução

Diante dos resultados positivos, a Skyhawk anunciou que o estudo de fases 2 e 3, denominado FALCON-HD, está sendo planejado. O estudo foi expandido globalmente e pretende recrutar cerca de 520 participantes (120 na Austrália/Nova Zelândia e 400 em outros países).

Diferente da fase 1, que foca na segurança e tolerância do medicamento em humanos, esta nova fase quer provar definitivamente se o remédio funciona em larga escala. O objetivo nesta etapa é determinar a segurança e a eficácia preliminar do medicamento em pacientes com DH em estágio inicial a moderado.

O estudo de fase 2 é um ensaio clínico duplo-cego e randomizado (o padrão ouro da ciência). Isso significa que alguns pacientes receberão o remédio e outros um placebo (comprimido sem efeito), e nem os médicos nem os pacientes saberão quem tomou o quê até o fim do estudo. Isso garante que os resultados possam ser comparados.

O que tudo isso significa?

A busca por um tratamento eficaz para a doença de Huntington é complexa e envolve um esforço colaborativo imenso entre pacientes, cuidadores, pesquisadores, companhias farmacêuticas, empresas de biotecnologia e os órgãos reguladores de diferentes regiões do mundo.

Sabemos que a ciência tem seu próprio tempo, mas atualizações científicas como esta renovam nossa esperança e confirmam que estamos cada vez mais próximos de tratamentos modificadores da doença.

A ABH segue acompanhando de perto cada passo do SKY-0515 e de todas as outras pesquisas promissoras. Manteremos nossa comunidade informada com transparência, responsabilidade e, acima de tudo, esperança fundamentada na ciência.

Huntington jamais irá degenerar nossa esperança! 🌷

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